Voavam, mas queriam nadar, mergulhar, dar cambalhotas nas águas, ir ao fundo e subir num impulso, fazendo piruetas.
Tinham asas, mas queriam as barbatanas.
Respiravam, mas queriam as guelras.
Viviam infelizes pois não conseguiam exercer a vida com as armas que possuíam.
Tinham o céu, mas queriam o mar.
Tinham visibilidade, mas desejavam o obscurantismo dos mares profundos.
E viviam infelizes por desejarem o que não poderiam ter. Nunca. De forma alguma.
Assim, trocaram a liberdade de ser pela prisão de estar.
Não se pode negar a natureza.
Jamais me esquecerei daquele dia, o dia em que os pássaros tomaram o barco e seguiram pousados e inertes, no fio da navalha, infelizes para sempre.
Rodada 111
Imagem: Márcia Magda
Texto: Maria Emilia Algebaile