Minha visão não mente
Será então a minha mente
que joga luzes contra uma lente?
Luzes frias e luzes quentes
das auroras e dos poentes
Pode ser pequena semente
rompida por sua força latente
Ou a gota do suor ardente
da dor que qualquer um sente
junto com o ranger de dente
quando se é penitente
Areias coloridas e fogo incandescente
Derretidos vitrais de antigamente,
escondendo a Cruz e seu Servente
os bancos e as suas gentes
recantos escuros e velas candentes
A visão do olho clarividente
A palheta do pintor recente
Borboletas batendo asas silentes
Flor colorida, iridescente,
volteando rápida, leve, livremente
Brincadeira de criança sem dente,
que pinta e borda, pula, não se prende
O melhor momento de quem aprende
a arder em gozo quente
O colorido de quem não se arrepende
O torvelinho de quem vive entrementes
O redemoinho da causa e seu consequente
A vertigem do que é aparente
Não dá de ver se vem gente
Tudo borrado a minha frente
Eu sei que você compreende
O que esconde atrás dessa lente?
Rodada 101
Fotografia: Ana Pose
Poema: Arthur Tavares Corrêa Dias
Bela imagem! Belo texto! Parabéns à dupla!
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