A cegueira e a mágica

Durante anos, um mapa sem rumos. No fundo das minas de carvão só via as setas. Tempos de pedras em meio à cegueira. Até a chegada dela na vila. Não era comigo a conversa, mas com as crianças. Fiquei lá da janela vendo a mágica. Noite após noite. Depois do carvão e das pedras. 

Uma noite ela me chamou para entrar. Fiz que não. Nas outras noites ela insistiu. Acabei sentando entre as crianças, que riam. Ganhei, como eles, papel e lápis. Aos poucos, a cegueira foi sumindo. E aprendi. A mágica das letras. 

Rodada 101

Fotografia: Rachel Jaccoud Amaro
Conto: Cesar Cardoso

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