Outro barco

Navegar neste barco, impreciso
Argonauta do esquecimento humano.
Deixar o porto. O desconhecido
é minha casa, meu pão, meu veneno.

O tempo é a faca com que me corto
perdendo meus pedaços no caminho.
A vida um tesouro que sempre escapa
das mãos. Transformei em vinagre o vinho.

Memórias que se esgarçam como espuma
por mares nunca dantes navegados
(e o céu não me dá proteção alguma)

Já não tenho mais mãe que me acalente
Meus sonhos todos jazem no passado
Derradeira barca: a de Caronte.

Rodada 99 Invertida

Poema: Jozias Benedicto
Fotografia: Lúcia Dias

Para a imagem deste post, Lúcia Dias inspirou-se no poema Um Barco, da Rodada 98. É que quando Jozias Benedicto enviou-lhe o texto da Rodada 99, anexou o arquivo errado, já enviado anteriormente para a Rodada 99. O escritor apenas deu-se conta do ocorrido quando recebeu a imagem de Lúcia. E então, feliz com a obra que havia recebido, teve a gentileza de sugerir a escrita de um novo poema, com o mesmo tema e sentimento, mas ligeiramente diferente e inspirado na fotografia de Lúcia. E foi desta proposta que surgiu Outro Barco. O resultado foi aprovado pela fotógrafa que entendeu que seu trabalho continuava em harmonia com o novo poema. E quem saiu ganhando fomos nós, leitores e espectadores do Caneta, Lente & Pincel.

Esta, portanto, é uma Rodada Invertida às avessas. Bem parecida com o rumo que tomará nossa próxima Rodada de número 100. Ficou curioso (a)? Então siga o blog, e não deixe de conferir o que aparecerá nas próximas semanas por aqui!

Deixe um comentário