Falemos de um barco que nos leve
ao porto do eterno retornar
Uma luz que desponta em meio à treva:
o sol, cansado de procrastinar
Seguir esta nau em sua viagem
de ida. Ou de volta? Que importa
mesmo é sobreviver ao naufrágio,
destino final de uma vida incerta
O céu azul, o mar tranquilo, pássaros
(quem sabe nos espreita a tempestade?),
ternura por estes momentos raros,
redes cheias de peixes, horizonte.
E uma angústia que no peito arde:
Todo barco é a barca de Caronte.
Rodada 98
Fotografia: Márcia Magda Marcos
Poema: Jozias Benedicto
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