Estações

Campos dos meus outonos
Gostaria que fossem esses,
que misturam os amarelos
a tantos tons de verdes

Eu, sentindo-me aflito
por não ter mais conseguido
deitar-me sobre a relva
e aproveitar as horas que rezam

Os campos da primavera
coloridos por muitas flores
Neles sempre há a promessa
de muitas alegrias e poucas dores

Verão, a estação mais forte
Traz a canícula do Norte
Transforma todas as canções
em fogo, em água, em paixões

Dos outonos para o inverno
Frio que faz temer o inferno
parado, calado, deitado, mirado, trajado
com o meu mais fino terno
Sem cabular as aulas
que preparam para o eterno
a minha e as outras almas

Meus versos não são pessimismo
Aprendi o que vale a pena
quando ainda era pequeno
Em um dia de sol, é apenas isso
o que importa: sentir seu calor,
sem virtude e sem horror

Rodada 98

Fotografia: Graça Souza
Poema: Arthur Tavares Corrêa Dias

4 comentários

  1. Versos lindos, imagens para se guardar.
    Que dupla incrível.
    As horas que rezam me pegou de jeito..
    Estou sentindo as horas se arrastarem.
    Parabéns, Arthur Tavares Correa Dias e Graça Souza.

    “Eu, sentindo-me aflito
    por não ter mais conseguido
    deitar-me sobre a relva
    e aproveitar as horas que rezam”

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  2. Belíssimo poema, linda imagem! Parabéns a dupla
    Que bom que sua infância lhe proporcionou boas aprendizagens.

    Meus versos não são pessimismo
    Aprendi o que vale a pena
    quando ainda era pequeno
    Em um dia de sol, é apenas isso
    o que importa: sentir seu calor,
    sem virtude e sem horror

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