É. Não apareci. Não consegui. Não pude. Cheguei a me vestir, cobri meu corpo com a roupa mais natural que encontrei no armário, a ideia era me mostrar confortável, exata, perfeitamente encaixada em mim. Não queria que você vislumbrasse sequer vestígios da desorganização em que fiquei quando você foi embora. A desordem era só minha.
Me lembro de você apontando a lua.
“Gosta?”
“Amo”
“Então é sua”
É, você me deu a lua e eu a guardei. Talvez esse tenha sido o meu erro. Não se guarda o que não se tem. E eu, em calma inocência, sem entender direito, aceitei a lua que seus olhos tristes insistiam em me dar. E, na ânsia de querer o que eu nunca poderia ter, acabei me esquecendo: do quê exatamente somos feitos? É que eu já almejava o sol que você um dia poderia me oferecer, não me contentava mais apenas com as ruas calçadas que ouviram os nossos passos e risos madrugadas afora. Eu queria mais. Foi quando seus silêncios começaram a me fazer perguntas apressadas, ansiosas. E eu, que queria tudo – as perguntas, as dúvidas, a lua, o sol, você – eu que queria tudo não tinha as respostas pra te dar.
Post extra
Imagem: Danielle Schlossarek
Texto: Ana Claudia Calomeni
Adorei o Post, Parabéns!!!
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