Quando acordei hoje cedo, o gosto amargo e azedo de cigarro e álcool subia de minhas entranhas. Bebida de merda, gente de merda, vida de merda. Tive que insistir, continuar, e o dia foi passando. A meu redor, só miseráveis como eu, mas a maioria disfarça bem. Não sou melhor que ninguém, tampouco a escória que dizem. Grana de merda, sistema de merda. E assim corre o tempo, a semana, a vida. Escravo de tudo, não admito. Engrenagem, sou feitor e mártir. Impotente, sou perdido e só, qual joguete ingênuo que se julga livre.
E assim passo com as gentes, as ruas, as aflições do mundo. Em dado momento, quase que desperto. Viro pro lado e vejo um homem, um homem caído. Ele definha, ele repousa, ele debocha. Quanta pena, quanta inveja, quanta raiva. Retomo o prumo, abaixo a cabeça, aperto o passo. E passo.
Post extra
Texto: André Calazans
Imagem: Paulo Resende
Adorei o Post, Parabéns!!!
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