A Ladainha de Saudade (canto de capoeira)

Saudade era o apelido,
José da Saudade a alcunha,
sabido na freguesia
um homem de carne e unha.
Trabalhava de pedreiro,
quebrava o duro do dia,
um homem de sapa e osso,
com o valor da valentia.
À noite, caía a malta
no álcool da patifaria,
os Camaradas vingavam
a lida ao léu da alegria.
Chegava sempre Saudade
lá no Rainha do Mar,
pedia sua cerveja
e deixava-se tomar.
O vapor de fumo e flerte
era a essência do calor,
as conversas, como abelhas,
mesclavam-se ao mel do amor.
Saudade a tudo absorvia
e a garrafa esvaziava,
todos viam ali Saudade,
mas José estava em Java.
José viajava alhures
e quando a madrugada abria
o bar ficava vazio,
só Saudade permanecia. Minha Rainha Sereia do Mar
não deixa Saudade voar…

Rodada 41

Imagem: Fernanda Lefevre
Texto: Guilherme Preger

1 comentário

Deixar mensagem para comprar seguidores instagram Cancelar resposta