Seu olho brilha, iluminado, e também chora
a dor da pele que se rasga ao ver a obra.
“Se está perdido, que se ache!” – é o que ela cobra
a toda hora, a toda hora, a toda hora.
“Na própria arte que se encontre”, todos falam,
julgando ver na arte coisa que o redima.
“Mas se eu fizer arte por algo”, ele os ensina,
“arte não fiz”, e neste ponto eles se calam.
Ele não é só mais um tolo idealista
que acredita, contra tanta prova vista,
que todo artista só produz sem querer nada.
Ele tem ossos e sua carne é tão pesada,
que na epiderme que a tal obra destruíra
ele sente que a arte pura é uma mentira.
Rodada 42 Invertida
Texto: Saulo Aride
Imagem: Magali Rios
Soneto é, de fato, uma coisa linda. 🙂 Saulo está de parabéns pelo texto belíssimo sobre o 'papel da arte': ótima inspiração proporcionada pela imagem da Magali!
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Adorei o Post, Parabéns!!!
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