Aquele sabor das manhãs na janela da praia, eram inesquecíveis para ela..
A mistura de cactos e pedras em ostras mostram-se vivas em cada tristeza cortada com sândalo…
O barulho das ondas hoje apareceu, suprimido pelo arrancar das rodas no asfalto.
As memórias traziam vida…
Bala de açúcar queimado sabor limão, queima a mão se tentar fazer bolinhas.
A cocada arrumada pela concha sobre a tábua de madeira, agua a boca e adoça a memória.
O tempo é mesmo o bem mais precioso para ela.
Escolhia à dedos a quem presentear com ele.
Os quadradinhos de doce de leite da mercearia,
O mamur de tâmaras, feito delicadamente pelas mãos de sua Tia Avó, Mathilde.
O pavê de bananas carameladas de sua mãe… Nunca mas comera um igual!
O tempo….
Ele presenteia com as escolhas…
Hoje ela escolheu as flores para saborear decorando sua receita inédita.
No lugar do sal marinho ela escolhia a flor de sal…
Como um retalhar de costumes,
Como um despertar do tempo em outro amanhã,
Sob outra jenela.
Rodada: 112 – invertida
Conto Poético: Bia Bertino
Imagem: Josenildo Medeiros