Morava sozinha numa casa pequena, mas não se sentia só. Desde pequena, tinha um cachorro bastante grande e com muito pelo, tranquilo, que cuidava de tudo o que havia na casa da floresta. Tinha amigos que viviam perto e a visitavam bastante. Quando fazia frio fora de casa, chovia e a neve caía copiosamente, ela era feliz. O clima lá incentivava as saídas e as caminhadas entre as árvores a conduziam a se abastecer da madeira seca que desde o chão a seduziam a recolher as ramas e esquentar a pequena casa. Quando chegavam, seus amigos iam para o jardim enquanto ela fazia um belo fogo e a lareira ardia em chamas. O ar ficava rarefeito e quente, abria a porta e permaneciam fora brincando com a neve enquanto emanava de dentro o aroma de eucalyptus que inundava com seu perfume o jardim às voltas.
Perguntou ao amigo que mais gostava, se não o acompanharia a fazer umas compras que precisava em casa, ele aceitou a proposta e lá foram para as lojas que ficavam na vizinhança. Iam a caminho da loja quando surgiu entre as árvores um velhinho que andava lentamente ajudado por uma bengala.
– Me diga, para onde vocês vão? Não conheço bem esse caminho. Não sei onde vai me conduzir.
– Contestaram juntos, pois sim, vai dar numa loja em que vamos fazer umas compras. Se quiser, venha conosco e não precisamos lhe indicar o caminho.
– Obrigado. Aceito a gentileza, mas antes queria lhes mostrar um lugar bem diferente pelo qual acabo de passar.
– Assim… E que vendem ali?
– Não me pareceu que vendessem nada, mas era bem atrativo. Parecia uma mistura da casa de alguém com muitas coisas antigas dentro.
– Aceitaram e foram andando para trás.
– Graça ficou entusiasmada e disse que pelo relato se tratava de algo muito especial de fadas ou bruxas.
Quando menos esperava apareceu uma casa que parecia um lugar estranho e de fadas ou bruxas. Se aproximaram e decidiram entrar. A porta se abriu e ao se aproximarem ouviram vozes que saíam de dentro do que parecia ser uma sala. Os recebeu uma senhora jovem ainda, que lhes ofereceu uma limonada feita com limões colhidos da plantação de limoeiros da horta. Agradeceram e beberam o suco maravilhoso daquela fruta.
Observaram tudo o que tinham naquele lugar e ficaram surpreendidos com os objetos raros que encontraram, dentre eles, um telescópio para observar os planetas, as estrelas e os astros que desde ali podiam ser distinguidos. Mas dentre as raras preciosidades descobriram uns binóculos, extremamente antigos, cuja existência poderia datar de muitos séculos atrás. Enquanto observavam todas aquelas singularidades, o velhinho experimentava o binóculos e não conseguia se desprender nem deixar de expressar surpresa, alegria, emoção, raiva, temor, medo… A enorme gama de sensações e sentimentos que constituem a existência humana. Solicitaram ao velhinho que lhes permitisse observar o que ele estava vendo. O velho falou que não sabia qual era o efeito que podia produzir na visão de pessoas jovens; já que, não tinham atravessado a vida e conheciam pouco dela. Mas, tanto insistiram os jovens que conseguiram que o velho acabasse cedendo. Quando os jovens observaram o transcorrer da vida através de séculos pensaram que esses binóculos eram um instrumento poderoso para evitar os erros do homem na sua existência e solicitaram à senhora que de tudo o que ela possuía desejavam possuir o binóculos para o usar como um instrumento de sabedoria e não permitir que os homens repitam as guerras, injustiças e a ausência de amor que tinha predominado por séculos na existência humana sobre a terra.
Rodada 112
Text0: Silvia Gerschman
Imagem: Ângela Márcia
O homem na terra
Morava sozinha numa casa pequena, mas não se sentia só. Desde pequena, tinha um cachorro bastante grande e com muito pelo, tranquilo, que cuidava de tudo o que havia na casa da floresta. Tinha amigos que viviam perto e a visitavam bastante. Quando fazia frio fora de casa, chovia e a neve caía copiosamente, ela era feliz. O clima lá incentivava as saídas e as caminhadas entre as árvores a conduziam a se abastecer da madeira seca que desde o chão a seduziam a recolher as ramas e esquentar a pequena casa. Quando chegavam, seus amigos iam para o jardim enquanto ela fazia um belo fogo e a lareira ardia em chamas. O ar ficava rarefeito e quente, abria a porta e permaneciam fora brincando com a neve enquanto emanava de dentro o aroma de eucalyptus que inundava com seu perfume o jardim às voltas.
Perguntou ao amigo que mais gostava, se não o acompanharia a fazer umas compras que precisava em casa, ele aceitou a proposta e lá foram para as lojas que ficavam na vizinhança. Iam a caminho da loja quando surgiu entre as árvores um velhinho que andava lentamente ajudado por uma bengala.
– Me diga, para onde vocês vão? Não conheço bem esse caminho. Não sei onde vai me conduzir.
– Contestaram juntos, pois sim, vai dar numa loja em que vamos fazer umas compras. Se quiser, venha conosco e não precisamos lhe indicar o caminho.
– Obrigado. Aceito a gentileza, mas antes queria lhes mostrar um lugar bem diferente pelo qual acabo de passar.
– Assim… E que vendem ali?
– Não me pareceu que vendessem nada, mas era bem atrativo. Parecia uma mistura da casa de alguém com muitas coisas antigas dentro.
– Aceitaram e foram andando para trás.
– Graça ficou entusiasmada e disse que pelo relato se tratava de algo muito especial de fadas ou bruxas.
Quando menos esperava apareceu uma casa que parecia um lugar estranho e de fadas ou bruxas. Se aproximaram e decidiram entrar. A porta se abriu e ao se aproximarem ouviram vozes que saíam de dentro do que parecia ser uma sala. Os recebeu uma senhora jovem ainda, que lhes ofereceu uma limonada feita com limões colhidos da plantação de limoeiros da horta. Agradeceram e beberam o suco maravilhoso daquela fruta.
Observaram tudo o que tinham naquele lugar e ficaram surpreendidos com os objetos raros que encontraram, dentre eles, um telescópio para observar os planetas, as estrelas e os astros que desde ali podiam ser distinguidos. Mas dentre as raras preciosidades descobriram uns binóculos, extremamente antigos, cuja existência poderia datar de muitos séculos atrás. Enquanto observavam todas aquelas singularidades, o velhinho experimentava o binóculos e não conseguia se desprender nem deixar de expressar surpresa, alegria, emoção, raiva, temor, medo… A enorme gama de sensações e sentimentos que constituem a existência humana. Solicitaram ao velhinho que lhes permitisse observar o que ele estava vendo. O velho falou que não sabia qual era o efeito que podia produzir na visão de pessoas jovens; já que, não tinham atravessado a vida e conheciam pouco dela. Mas, tanto insistiram os jovens que conseguiram que o velho acabasse cedendo. Quando os jovens observaram o transcorrer da vida através de séculos pensaram que esses binóculos eram um instrumento poderoso para evitar os erros do homem na sua existência e solicitaram à senhora que de tudo o que ela possuía desejavam possuir o binóculos para o usar como um instrumento de sabedoria e não permitir que os homens repitam as guerras, injustiças e a ausência de amor que tinha predominado por séculos na existência humana sobre a terra.
Rodada 112
Text0: Silvia Gerschman
Imagem: Ângela Márcia