O umbuzeiro que usou sua coroa para salvar o sertão

Chega a seca no sertão 

Rouba da terra as suas cores

Queima o barro do aluvião 

Bichos e homens em suas dores 

Rogam ouvir um trovão 

Em paga por seus clamores

Esperam as águas voltarem 

Sob a sombra do umbuzeiro

Lugar melhor para rezarem 

Pedindo bença ao padroeiro

Ali sentem ventos soprarem 

Ares puros e benfazejos

O umbuzeiro dá suas folhas

De alimento pra criação 

Dá umbus azedos e doces

Pra nossa satisfação 

O segredo de sua sorte

Está debaixo do chão 

É a água guardada nas raizes 

Que faz durar a sua vida

Enquanto olhamos tristes

A secura nas ravinas

Se não fosse ele em riste

Mais difícil seria a lida

Contam que um umbuzeiro

Com pena do sertanejo

Fez subir como um rio inteiro

Toda água dos seus veios

E uma nuvem colossal 

Ameaçando temporal

Ergueu-se como coroa

Sobre a copa do umbuzeiro 

Como um rei de vontade boa

Fez chover no mundo inteiro 

Secando a vida em seus veios 

Para dá-la aos sertanejos 

Ficou assim aquela imagem 

O umbuzeiro e a sua coroa 

Como se fosse uma  miragem

Onde gente se esboroa 

Mas há quem jure ser verdade 

Tendo salva a sua linhagem 

Eu acredito nessa história 

Dizem que pode ter sido

Uma das maiores vitórias 

Naquele tempo tão sofrido

Valha-me Nossa Senhora 

E o nosso Padim Ciço 

Para aqueles que duvidam

Eu desafio de volta

Prostarem-se em prece e em roga

Vão dizer que já sabiam

Ao ver a primeira gota

Caindo da enorme coroa

Mas isso não importa 

Importante é o umbuzeiro 

Ser a árvore salvadora 

Do nosso povo sertanejo 

Plantemos um em cada porta

E Valha-nos Nossa Senhora

                              

Dedico esse poema às gentes dos sertões.

Rodada: 111

Fotografia: Josenildo Medeiros
Poesia de Cordel: Arthur Tavares Corrêa Dias

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