Cristais do Labirinto

Aquele mês foi desafiador

o desafio foi de dor real.

Com perdas em despedidas.

Ela não podia parar…

Revirava a gaveta buscando fantasia antiga de carnaval,

corria com a filha pequena

para a escola,

açaí e o frango em pastel,

sem esquecer a bola.

A filha grande era calmaria

e explosão ao mesmo tempo..

Orgulho de cada momento.

De tanto circundar em suas arestas,

ela se forçava a pensar na rima sem métrica,

nos memes de Emanuel

que poderiam ser um tema,

na marmita do dia seguinte,

na hora do Papai Noel

que sempre era um dilema.

Tudo parecia rodear suas retinas, suas irises estavam

descontroladas pelo labirinto…

Ela só queria chegar na hora,

pagar a cantina,

entregar no prazo,

almoçar sem pressa

e sobremesear num café

com sua fiel escudeira…

Um dia a despedida virou

ausência dorida.

O chão ficou perto do rosto

amanhecido.

Ela se viu rodeada de cores

Debaixo daquele céu azul deslumbrante

Escutou uma voz familiar gritando seu nome…

E num mar de guarda sol em renda

Ela voltou a respirar,

descobriu que o desmaio

foi a pausa para olhar

seu mundo, por outro ângulo,

com outra rima,

outra textura,

outras palavras…

E quanto tudo voltou ao normal,

as pessoas saíram

do alcance de seu olhar.

Levantou e jogou-se nas ondas…

Buscando a próxima saída,

Em sua parte ida.

Rodada 111

Imagem: Anita Handfas
Poema: Bia Bertino

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