Em meio aos dois mares meus pés tocam a areia batida enquanto o vento embaraça os
anéis do cabelo de uma criança cor de cereja. Distraio-me porque desejo encontrar as
pedras que parecem próximas e de lá partir para o mar. Lá decerto nadarei e tornarei ao
caminho sentindo a água salgada tocar os anéis do meu cabelo como se o tempo
estivesse entre o ontem e o hoje ou quem sabe na ossatura da praia ou no poente
lambuzado de cores fundidas no limite das pedras de onde vim.
Rodada 111
Arte: Ana Pose
Texto: Adriana Vieira Lomar