Morte ao palhaço que chora.
O palhaço é um cargo público,
O povo clama por ele,
A turba o carece.
Ao palhaço não é permitido chorar
Como ao político não é consentido roubar.
O riso é um deus ancestral do qual o palhaço é servo
Ao palhaço, nenhuma lágrima.
Morte ao palhaço melancólico.
Não pudesse servir ao riso, não se prestasse à profissão.
O coro o venera. A ele não é concedido o erro, a falha, o tropeço.
Rebelde palhaço prostrado!
Ao ostracismo! Desapareça de nossos sagrados picadeiros.
Nenhum riso a menos ao palhaço.
Colem o seu sorriso, prendam seus lábios em posição de sentido.
A derrocada da moral começa com o palhaço que chora,
com o assassino que ri, com os amantes mornos e as poesias que precisam de dicionário.
Que o palhaço lamuriento conheça a insignificância.
Que sua prole seja infértil e não se propague.
Que todos os dias lembremos de quando ele existiu para evitarmos que novos surjam.
E que no dia de seu funeral pousemos uma lápide em branco sob o gramado.
Para que a história o olvide e adoremos o Riso perpétuo.
Rodada 110
Imagem: Rudy Trindade
Texto: Pedro Silva
Caramba, que pancada, hein? O avesso do avesso. Enquanto eu recupero o ar, parabéns. Abraços
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