Ela reclamava dos dias
Acelerados
E nada fazia para acalmar.
No entorno de sua vida, vazia de afeto, corria…
Do vizinho,
Do medo,
Do apego,
Do sossego,
Do amor.
Sentia sede de liberdade!
De não ter metas,
De não ter prazos,
De não forçar rimas
Nem métricas.
Ela queria um mundo
Girando em seu tempo,
Seu talento,
Seu segredo mais prufundo,
Seu jeito mais latente onde
Ela poderia se chamar Raimundo
O seu mundo não seria
O vasto
Nem Pasto
Só o mastro
De uma tortura do
Saber fazer.
Um dia se despiu!
Das amarras,
Das sandálias,
Das escaras
E partiu…
O mundo real era o desfocado…
A chuva finalmente molhou seu coração em gritos.
Em cada gota, ouvia os aflitos.
E ela acordou,
De camisola na estrada,
Vendo que o fim
Também poderia ser
O início,
Daquele ângulo,
Sentiu a mão, afetuosa,
Puxando…
Viu a sorte de todo sonâmbulo
Que sempre é salvo ou guiado
Por ser outro ser humano aprisionado.
Rodada 110
Imagem: Daiany de Souza
Poema: Bia Bertino