a noite se dilui em azuis
e em despedida me abraça
me faz lembrar o sorriso que deixei
a noite abre a porta do céu
e eu ainda estou na varanda da casa
a caçar cheiros
a manhã anoitece e eu permaneço
entre as montanhas
a desejar o mar
cá estou
estrangeira a buscar
o meu lugar
Janela
eu estava no trem a caminho da minha terra
eu estava no trem a caminho do ontem
eu estava no trem a caçar esperanças
a viver a noite e a sonhar alvorecer
eu estava no trem a buscar a luz
eu estava no trem a sorver o infinito
o poente partia
nem era noite nem era dia
era a saudade fugidia
a dizer amanhã será mais um dia
abracei a ausência
e no vagão adormeci.
Rodada 110
Imagem: Letícia Maia
Poemas: Adriana Vieira Lomar