Toda essa brancura
ainda desabará
por cima das orações
e outros gestos de credulidade.
Há quem olhe para as redes
de afeto, e seus ramos e fios
em busca de apoio,
mas apenas encontra vazios.
Toda rede é furada e translúcida.
A branquidão virá em flocos,
em fragmentos como neve
sobre o campo,
e irá se desfazer como líquido,
em poças, pequenas lagunas
de aspecto indefinido.
E aí então esse visco opaco
refletirá, defletirá,
como um prisma,
a multidão de cores,
esperança cromática.
Rodada 110
Texto: Guilherme Preger
Imagem: Walter Vinagre