Minha mãe sempre me falou para nunca dar um passo maior que as pernas. Mas ela esqueceu
de me dizer como medir o passo antes de iniciar o movimento. Se o passo foi maior que as
pernas, eu só fiquei sabendo depois, muito depois…
A cidade nova, grande, iluminada, cheia de ruas e prédios, tão diferente do meu coraçãozinho
apertado entre quatro paredes de taipa na beira do ribeirão, essa cidade não podia ser
caminhada a não ser com grandes pernas, fortes passos e foi o que fiz.
Valeu a pena? Não sei dizer. Estou feliz? Tão pouco imagino. Mas saí do útero quente daquele
sertão e nasci de novo, fazendo tudo o que minha mãe falou para não fazer. Sou gigante em
Liliput. Grande, forte, poderoso. E choro todas as noites com saudades da casa de taipas, do
ribeirão e do colo da minha mãe.
Rodada 109
Imagem: Márcia Magda
Texto: Maria Emilia Algebaile