A mulher de sin

E O Senhor ordenou ao povo escolhido que se arrependesse e caminhasse sempre adiante, seguindo o rio, sem olhar para trás. Aquele que desobedecesse, seria transformado em estátua de açúcar e devorado por chuvas de abelhas.

E assim todos faziam, mas a mulher de Sin sentiu a morte lamber sua nuca, virou-se e viu o mar de fogo amarelo e gelado devorando tudo que ela, aquelas pessoas e seus antepassados haviam plantado.

– Temos que voltar. O Senhor não sabe o que faz.

– Você está louca – disse Sin. E virando-se para seu povo:

– Não deem ouvidos a ela. Sigamos o Senhor.

– Por que? – Gritou para todos a mulher de Sin.

– A gente tem que ser castigado só porque resolveu transar com todo mundo e de várias maneiras? Não é bom, não?

– Não importa. É pecado, mulher, – insistiu Sin.

– Na casa de Abraão tem muitos baldes, – gritou alguém. E logo se ouviu outra voz, enquanto todos começavam a voltar:

– Óleo de menta, com cravo e eucalipto, é ótimo pra espantar abelhas.

Imagem Daiany de Souza
Texto Cesar Cardoso

Rodada 109

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