O carioca não está preparado para chuva.
Não estou falando somente do ponto de vista da cidade. Falo do emocional, do subjetivo.
Começando por não saber o que vestir caso tenha que passar o dia na rua.
O morador da cidade do Rio de Janeiro sofre com o dilema da escolha da indumentária desde o momento que acorda.
Uma luta.
Em seguida a escolha do tênis. Carioca em geral só tem um par de sapatos, aquele par de filho único de mãe viúva que comprou para o casamento da irmã e nunca mais usou.
Andar na rua um périplo. Não sabem usar guarda-chuva. No Rio de Janeiro deveria ter curso para dirigir guarda-chuva.
Os transeuntes que portam guarda-chuva, em geral, trafegam debaixo das marquises.
Em sentido inverso aqueles que não empunham um são levados a caminharem sob a chuva para se pouparem da fadiga ou para evitarem o risco de terem a visão perfurada pelo apetrecho ereto em mãos imperitas. Afinal quando de baixa estatura as pessoas são inclinadas a enterrarem o guarda-chuva na cabeça.
Outros portam o adereço de proteção à água como se arma fosse. Te miram com olhar de desafio para que você ouse enfrentá-los: “Vem, vem… pague para ver”. Se pudesse diriam.
A chuva realmente não é para cariocas.
Elimina a praia, impede a fluidez do trânsito, coloca água no chopp e castra a vida social.
Carioca não gosta de sinais fechados, já diz Adriana Calcanhoto ….. e nem de chuva.
Rodada 108 Invertida
Crônica: Cristina Furst
Imagem: Pilar Domingo