Fui abril e fui agosto,
seco abafado, fui chuva
Te encontrei e te perdi,
agosto morte insepulta,
agosto, gosto de sangue
travo amargo na garganta
olhos águas incessantes
uma dor que nunca finda
Seco as lágrimas, me bato
quero me perder nas ruas
até te encontrar de novo
outro eterno Carnaval
Cica ardente de um caju
Corto os pulsos, enlouqueço
Pierrô ou colombina
Carnaval fora de época
No Brasil fora de época
Sem estética, sem ética
sem passado ou futuro
Arlequim assassinado
Likes trituram as vidas
blocks deletes apneia
neste Brasil que parece
um carcinoma vulgar
Um sábado sem manhã
Talvez sonhei ou morri:
Estás comigo sorrindo
meu agosto agora é mar.
Rodada 108 Invertida
Poema: Jozias Benedicto
Fotografia: Anita Handfas