Houve um tempo em que as pessoas diziam que eu era mais nova do que de fato eu era. Coisa pouca, uns 5 anos a menos. Mas naqueles dias, eu queria ser mais velha. Sonhava com a maturidade e experiência daqueles que eu admirava. Queria o Tempo para mim. E sabia que ele só viria com o tempo.
Hoje, quando não acertam a minha idade, pensam que eu tenho mais. Quero acreditar que este é o resultado dos sorrisos e dos vinhos, para não dizer das rugas e dos quilos a mais. Mas na verdade é mais do que isso. A maturidade traz sabedoria, e também preocupações, e cansaço. Eu não sabia antes, mas o Tempo cobra. E cada vez mais, conforme o tempo passa.
Engana-se, entretanto, quem pensa que eu preferia a vida de antes, cercada por admiradores, à espreita do sucesso que eu achava que queria. É que quando sorrio hoje, sei bem de onde vem minha alegria. Quando corro hoje, sei porque estou correndo. Quando paro hoje, é porque quero parar. Ao Tempo, pago como posso. E não me importo se o tempo acabar.
Rodada 107
Fotografia: Ana Pose
Texto: Rachel Jaccoud Amaro