Cercania de Amor

Os momentos que ele sentia
Eram áridos.
De afeto,
de contato,
de tato.

Em cada canto
Podia lembrar
do olhar dela…
Palmilhando o sereno
que umidificava o tempo.

O amor por ela
se fazia tão denso
que poderia ser esticado
em raio de quilômetros,
salvando os corações
em desesperança.

Naquela andança,
ele buscava o sentido…
Da despedida,
da partida,
da paisagem perdida.

Os trilhos do trem
traziam a lembrança
do chacoalhar,
que o vento fazia,
sobre as variadas plantas
entre os cactos
do quintal.

Aquele universo, ficou para trás
no momento que o amor se (bi)partiu.
Agora ele se vê entre pessoas, na multidão,
e o terminal sempre trazia
as memórias dos pastos…
E como gado, sentia-se empurrado,
no emaranhado de concreto,
agressivo ao seu olhar.

Às vezes se observava
pensando nela…
Com seu cabelo ondulado,
de manhã,
Era o seu capim dourado…
era o chamando para vida,
o acordar da luta,
trazendo infinito…

Como era bom viver
sabendo que o amor instiga,
quando é puro e grita
no edifício da solidão.

Nessas memórias trazidas
de sonho interrompido,
Carregava a imagem em papel
envelhecido
Com a lembrança de seu Sertão.

E de repente o sinal ecoa…
Rasgando o sonho de minutos.
No susto, ele coloca a foto no bolso,
se volta para a janela e
espera a porta abrir,
para a próxima estação…

Rodada 107

Fotografia: Rachel Jaccoud Amaro
Poema: Bia Bertino

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