Irmandade Norteada

O que esperar dos momentos de espera?
Se for amor: sufoco.
Se fosse Irmã: paciência.
Sendo Amiga: prazer.
E nas memórias de duas vidas,
aquela espera trazia tudo de volta.
Para os 10 anos: a idade.
Para Amigas: irmãs.
No Lugar: a escola.
Somando as Brincadeiras: o universo particular.
O mundo externo queria entrar!

A irmandade era blindada,
levada, engraçada e desinteressada das vaidades comuns.
A parceria fazia os dias cinzas, passarem coloridos…
Os sonhos eram divididos,
Os segredos compriiiidos como os cabelos da outra…

De ano em ano somaram 33.
Subiram nos carros…
Viraram ninja e depois samurai.
Roubaram balas de cereja e ameixa.
Tomaram chá…
Para os dias de luta tinham Sensei, Aikido, Johrei e café.
Ensaiaram peças,
Trotaram e passaram trotes,
Estudaram japonês,
Apelidaram,
Neologismaram muitas vezes.

Até que o tempo passou…
E com ele vieram os encontros-pontuais-adultos, que de maduros nada tinham,
eram amarelos e também verdinhos.
Nessa espera, rodando pelo mundo, elas procuravam os sapinhos,
como crianças brincado de serem adultas, na ludicidade delicada dos momentos…
Como cada exílio, de quem não eram, para esmagar os medos.

Escondidas em cada cidade, de cada vontade, aproveitavam os dias.
Se o mundo era bom antes do encontro das duas,
O que seriam das ruas sem os seus (em)cantos?

Em segundos a vida voa…
O cabelo de uma fica branco. O da outra nem tanto.
E do banco, olhando além da ponte,
Uma, espera a Outra parte, atrasada, que faltava pra completar
Aquele Norte.

Rodada 106

Fotografia: Walter Vinagre
Poema: Bia Bertino

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