Um soneto sobre o fluir

Nem sempre me banhei nas mesmas águas
Eu nunca igual, as águas sempre outras
Ilusória permanência do ser
Única certeza: a do abismo,

o caminhar célere para o nada
Pés descalços, braços nus, oito anos
ou oitenta, é tudo a mesma coisa:
aprender e esquecer, ensaiar

uma peça cuja estreia é sempre
adiada, uma páscoa que nunca
chega, a revelação que se apaga

Nas mãos, tantas marcas de minha vida
Sem fôlego por tanto me afogar
no rio do eterno esquecimento

Rodada 106

Fotografia: Ângela Márcia
Poema: Jozias Benedicto

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