Um olhar distante

Nada eu estava fazendo para isso, nem sabia sequer o que estava acontecendo. Era singelo, diferente, desprovido de motivo. Assim como havia mergulhado nesse desespero do nada, também nada se perfilava naquela tarde que aparecera a me liberar. Num momento indecifrável, passei da sensação da dissolução da mente para a reconstrução daquilo que chamei de vida, sem saber como.

Mergulhado nessa angústia da dissolução voltei a pousar os meus sapatos no chão. Como se pudesse ressurgir do meu desconhecimento, inesperadamente tomava consistência a saída e a paz num outro lugar. Simplesmente soube que ia sair do Rio. Que compraria um pequeno computador para mim, que reescreveria o que tinha escrito no velho PC, levaria todos meus arquivos, saudaria desde uma nova janela o sol todo-poderoso e que a noite tinha mágica e misticamente se feito dia.

Rodada 105 Invertida

Conto: Silvia Gershman
Fotografia: Graça Souza

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