no ano em que faremos contato
não com os corpos mas apenas
os dedos tateando teclas e telas
e a língua abstrata emitindo
falas como lufadas entre os dados digitais
aqui janeiro há um grande sol
essa fornalha de luz
e o vento imparável fazendo mover
as pás dos imensos ventiladores
e a paz de intensos ventrículos
daqui faremos contato para além
dessas praias que acolhem a nudez
do desejo dividido como uma bola de altinho
jogada ao mar para sereia
ser trazida de volta pelas ondas incansáveis.
é o desejo que retorna ao corpo nu
e ao sexo pendente e descansado.
é preciso esse suporte todo
para o ano que adentra
como um ciclone no atracadouro
para se adoçar no remanso das falésias.
este vento nesta praia deste cais
parte o voo violento da vitória.
Rodada 105 Invertida
Poema: Guilherme Preger
Fotografia: Ana Pose