Germinar e nascer mãe

Ser terra
Ser sangue
Ser mulher
A força da terra, potência do sangue, do sexo, dos flúidos.
O encontro de forças e a evolução do micro ao macro.
A existência da vida, mescla e dança da evolução.
O corpo cápsula, abrigo, alimento e transporte.
Um corpo incubadora.
Sentir-se Ovo
Sentir-se bicho
Sentir tudo.
Amor
Desejo
Coragem
Orgulho
Medo
Pavor.

E do sentir e ser, nasce aos poucos uma mãe, esse novo personagem em constante construção, mutação e adaptação.

Se alguém me perguntasse quando você chegaria, eu suporia que seria na primavera ou no verão, em um período de alegria, amor e tranquilidade. Um momento financeiro estável e favorável. Claro que também seria perto da família, cercada de apoio e celebrando a sua chegada.

Se uma cigana me parasse na rua e lesse minha mão me diria, ela chegará sim no verão, o mundo estará recluso, haverá muito medo no ar, muitas mortes e muita tensão. Juro que não iria crer, pois jamais passaria pela minha cabeça uma ideia tão insana. Mas a suposta cigana estaria certa, sem tirar nem pôr, mas não posso dizer que eu estava totalmente errada, pois de uma forma torta eu vivia sim nos tempos da sua chegada um período de alegria e amor, mas nada era tranquilo e estável, afinal em tempos de Covid não existe essa realidade.

Você chegou quando eu estava cercada de terra, vento, fogo e água. Veio como manifestação da vida, pulsão da existência e força da terra, semente seca que germina e transforma tudo. E mesmo nesse mundo em isolamento, nesse tempo de medo e tristeza você trouxe alegria. A vida é assim mesmo… infinita, onde há morte há vida.

Rodada 104

Pintura: Pilar Domingo
Texto: Maria Matina

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