Eu esperei deixar
tantas coisas nesse mundo…
Mais que o cego enxergar
Mais que falar o mudo
Quando meu filho nasceu,
sabia ser filho meu
Desconfio do arcanjo
Nunca vem quando o clamo
Primeiro foi o nascer
Depois o aprender
Para então ensinar
E disso Ele se vingar
Meu filho inda crescia,
mais lindo que todos os filhos
O mais belo sorriso
A mais pura alegria
Talvez tenha errado
qual seja minha missão
Por isso serem pregados
espinhos em meu coração
Ele era todo amor
Insistia em ser sábio
Para mudar os hábitos
não previmos tanta dor
Dizem que meu outro pai
escreve em linhas tortas
Talvez por isso nos faz
caminhar em tantas voltas
Agora ele é meu mestre
Eu sou seu pupilo
Estou a ele entregue
como fosse eu seu filho
Serei um menino,
meu último destino
Esperar como criança
é saber a esperança
Rodada 104
Fotografia: Luiz Felipe Sandins Mendonça
Poema: Arthur Tavares Corrêa Dias