De Narciso

Em uma fonte intocada
Em um bosque escondida
Somente assim revelada,
para a vingança clamada
Perdeu Narciso sua vida

– um corpo antes sem feridas

Sua sina era tamanha
que Nêmisis fez sozinha
seu plano, sua artimanha
Dispensou o deus criança
e sua doídas flechinhas
Narciso, sua inata armadilha

O que restou de Narciso?
Sem túmulo, gerou flores
Quero ter o que preciso,
como sendo em mim nascido
Mas o parto tem suas dores,
além dos espectadores

O que restou da aflição?
Linda estória de moral
que nos traz essa lição:
ver demais em seu coração
pode ser um grande mal
P’ra Narciso, o seu final

Rodada 103

Vídeo: Maria Matina
Poema: Arthur Tavares Corrêa Dias

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