No jardim

Neste jardim-mistério, como um sonho
o encontro marcado com meu outro
Pedaços decepados de uma nuvem
Folhas caídas de nenhum outono,

varridas, apodrecem, viram nada
Em que jardim o meu duplo me espera?
Depois que cai da árvore, uma folha
nunca retorna, como eu e nós,

tristes crianças esperando a noite
na vã quimera que a lua as salve
na louca ilusão que o tempo volta.

Folhas esquecidas, planetas mortos,
memórias mofadas, cartas rasgadas,
ilhas perdidas, nuvens assassinas

Rodada 103

Fotografia: Walter Vinagre
Poema: Jozias Benedicto

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