Desde o alto da ladeira se observa o caminho.
As grossas paredes com que foram construídas, em tempos imemoriais, para as mulheres que eram confinadas à vida religiosa, podiam guardar um convento, um forte ou uma cidadela, fosse o que fosse, protegia às mulheres; pois ali se encontraram alguns rosários e delicados objetos femininos.
Dependendo da hora do dia, aquele percurso descobria as paredes firmes e sólidas que pareciam esperar a chegada de um conjunto de mulheres vestidas com hábitos de cor escura que se dirigiam para a cidadela. Sim, sem dúvida, elas guardavam aquele lugar escondido por árvores, mata, flores pequenas e de diversas cores que pareciam proteger algo indefinido e que despertava a curiosidade do caminhante, algo a mais do que pedra e natureza.
Neste dia, faria uma extensa caminhada. Tinha imaginado que imbricaria meu corpo, pernas e pés na flora pululante que brotava da terra. Faria um desenho completo em volta do qual nasciam pinhos que descobriam a luz, as sombras e a terra úmida. A grama era intensa e saltitante entre as pedras e as areias do rio enquanto observava fascinado a vida na natureza.
A mata possuía um conjunto de castanheiras, camélias e lilás… estranho agrupamento… que parecia irradiar-se entre o verde luminoso… exposto ao sol da tarde. Verdes intensos que se tornavam suaves enquanto a hora avançava à medida que as folhas, regadas pelas sombras, iam adquirindo um azul amarelado que chegava no meio do sol se escondendo.
Ouvia o silenciar dos pássaros descansarem em calma até, precipitadamente, chegar um pássaro maior que posou em completo silêncio sem um trino. Sentei na borda do rio sobre uma pedra maior, tirei as meias e os tênis e repousei meus pés na água. Fiquei horas contemplando o barulhinho da água e as mordidas suaves dos peixinhos nos meus dedos, deliciava-me num completo descanso de meu corpo.
Quase adormeci, alguma coisa agitou as folhas, acreditei que tivesse chegado uma presença indefinível. Mas, não. Uma bela mulher ficou imóvel, plena do mistério que escondia o lugar e me olhou profundamente…. foram minutos? Ao olhar novamente, não mais estava ali…
Post Extra
Fotografia: Rachel Jaccoud Amaro
Conto: Silvia Gerschman
Oi, Raquel! Tudo bem? Ficou bonito o conto, com um clima misterioso. Gostei da leitura. Muito obrigada pelo trabalho de vocês. Vou difundir a publicação. Abraços, Silvia!
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