Luz do candeeiro

Logo à tarde

Um afeto acetina

Pelos olhos que ardem

Uma visão que descortina

Uma nudez

De voz aveludada

E com um cheiro de nicotina

Num momento tenso

Entre água do chuveiro

E o secar do ventre

– Ancas e nádegas no quarto

– Uma luz que vem do candeeiro

Espera o momento da tepidez

De apreender na tela, sair do banheiro.

Rodada 102 Invertida

Poema: Fernando Andrade
Fotografia: Walter Vinagre

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