Dragão

uma poderosa criatura mítica ao vento porque o sentimento era de quem enfrenta de quem afronta e assim deixava escapar o poder a efígie a esfinge a ousada fumaça saindo do ser estranha combustão flutuante desorientada provando coragem ascensão não se espera mais nada somente atitude iremos em frente ser superior sapiência controle tonteira altitude fronteira mas sei que isso não é bom mas quase sempre foi tanto que me embalou por tanto tempo ao seu ritmo ao seu som ao balanço do seu silêncio íntimo saudade história memória da amiga fiel divertida cruel que encoraja deprime cheirosa fedida careta viagem sorriso risada gargalhada tragada trazida levada bochechada nuvem confidente mentora estridente no quarto sozinho estranho caminho deforma se alonga disforme corrompe ambiente levita na festa catarse feliz ou frustrada pessoas queridas na cama no bar relação com o ar boca nariz de dragão de palhaço névoa que se espalha se espelha picante potente partida parida não importa tudo é brasa fogo nuvem vida força poder posição mostro pra mim para o mundo expelindo esse tanto esse canto aos cantos que me seduz e às multidões que gozam meu gozo ao ver o poder cuspido da boca narinas do ser dividido disperso deslocado despojado defumando a crina a própria vida criação cavalo louco me afirmo me firmo no ritmo me rimo no mundo que fica melhor faz feitiço ancestral e me benze um sinal e me salva e me cura e me acalma e me cansa e me mata meu eu falso intenso poder que tive que estancar que parar de lançar esse resto esse rastro esse mastro esse ser entidade identidade parte profunda que parte sem mim pra não sei onde e quando penso aos prantos intenso fico perdido sem chão tragado traído traindo moído ingrato sozinho abandonado sentido sedento de algo que nem sei o que é mas no fundo sei que é só uma parte de mim que um dia parte feita em cinzas por quase nada

Post Extra

Texto: André Calazans
Fotografia inspirada no texto: Magali Rios

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