era festa e êxtase

era festa e êxtase. pessoas se abraçavam sem pressa. a saideira? sempre a próxima. todo dia era uma sexta-feira à tarde despreocupada. noutros tempos, noutras janelas, distantes e, curiosamente, quase ao alcance das mãos. quem sabe pudesse esticar um pouquinho mais o braço?… pessoas de todas as cores, de todos os sabores, o mesmo encontro, um só baile. oito janelas, pessoas nas oito janelas, a música ecoando, alegria preenchendo o espaço. havia celebração e plenitude. nem o tempo conseguiria apagar o charme daqueles ornamentos, ofuscar o capricho daquelas sacadas. “cancelaram a angústia”. eram dias de outono quase perfeitos, sem hora e relógios. havia vozes, havia diálogo. de qual janela acenará aquele rosto, cheio de vida? há ruína, está claro. mas há beleza. e não é pouca. a fachada esconde o mundo. a cidade que a cidade não vê.

Rodada 101

Fotografia: Graça Souza
Crônica: Robson Aguiar

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