Lula Livre

A Terra que tudo acolhe,
rasuras de céu e nuvem,
matéria sobre matéria.

De que bicho era feito o manto
do último homem a registrar antílopes?
Quem terá sido o último a sentir o oxigênio
dançar com o gás carbônico?
A sentir os nós dos dedos sangrarem
contra as paredes, meio tijolo por dia –
quantos dias terão sido?

E, livre, voar sem esforço,
no vácuo da revoada que fazem as andorinhas –
que, por nunca estarem sozinhas, sabem sempre aonde vão?

 

Rodada 100 – Telefone sem fio

Imagem: Pilar Domingo, inspirada no texto de nosso post anterior
Poema: Maíra Fernandes de Melo, inspirada na imagem deste post

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