A boca ardendo como se um peixe
eu fosse: só escamas e espinhas
Como uma nuvem grávida de chuva
Como um oceano de carne fria
A minha garganta cansada e seca
de gritar pelos mortos, pelos vivos
Enquanto ouvidos se fazem de moucos
Enquanto dançam a dança da morte
Olhos arregalados como um peixe
Vejo os jovens bacantes suicidas
e vejo os velhos no silêncio cúmplice
Tento gritar de novo, estou mudo,
exausto de nadar em minhas lágrimas
Peixe afogado fora do aquário
Rodada 100 – Telefone sem fio
Desenho: Patrícia Cunegundes, inspirado no texto do post anterior Tutorial
Poema: Jozias Benedicto, inspirado no desenho deste post