Irmão, quem és tu
que habitas entre canhões?
Que ao invés de construir,
destrói a Terra com seus sermões
Ganhaste fama, fala
e muitas eleições
Foste aplaudido, é verdade,
por pessoas, hordas e corações
Então fizeste a guerra,
a guerra que sempre sonhaste
Transformou a alegria em choro
O choro salgado
como o soro para os soldados
E de tudo o que tínhamos,
fez o que nos resta
sem brilho
sem música
sem festa
Onde está o outro, o próximo?
Triste ter que acreditar:
somos somente um negócio
Não foi por isso que pedimos
Não somos mais sociedade
Não temos mais humanidade
Não somos homem que sabe
Somos homem que apenas nasce
Vivemos, mas não existimos
Não pensamos, reagimos
O rio parou
Todos os rios pararão
Cada gota d’água parada, estagnada
Sem movimento
Sem transformação
Mas resistindo
– fazendo força –
para não retornar
pelo caminho já percorrido
Esse é o último suspiro
Que homens como tu
habitantes de armas
não nos confundam mais
como sendo o messias
– falsas salvaguardas –
Que a fragilidade de nossas vidas
nos afaste
dos “já-ir” (tenhamos força)
do raso (tenhamos beleza)
dos bonapartismos (tenhamos sabedoria)
Que ao invés de canhões, manipulação e guerra,
tudo seja afeto, compreensão e alegria
Rodada 99 Invertida
Poema: Arthur Tavares Corrêa Dias
Fotografia: Roberto Abreu