[sujeito de sorte]

quando me olho no espelho
vejo o reflexo das coisas que fiz
algumas boas, outras menos
num exercício de julgamento
particularmente generoso

muito mais do que fiz
quis ter feito
sonhos projetos utopias

nada de espetáculos!
– sou feito de terra,
ando rente ao chão –

ainda assim, não concluí grande parte
por apatia, hesitação, muitas vezes apenas preguiça
permaneci inerte
rei gordo à espera do desjejum em uma bandeja de prata

volta e meia a vida, distraída que é
concede novas chances

tenho sorte

Rodada 96 Invertida

Poema: Robson Aguiar
Fotografia: Roberto Abreu

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