Prenhe de pontadas

Feita de veias, estrias, memória de ovos descartados.
Sangue que corre, água que não estanca.
Sangue que não deixo escorrer, água que para. Magoa.
Pele descolada, gorduras, bile, panículos justificados.
E cada parte grita.
Cada qual viscosa, mansa ou distante.
Do pulso, da câimbra, da contração.
Sou toda gotejar.
Grumo, floco, sem lapso.
Sou toda grito.
Víscera entristecida por vezes.
Lástima abastecida por fezes.
Latente muito risco alto.
O estufado do ventre. Mais que pleno, porém só de ar…
Não lactente. Inútil.
Grito em silêncio. Por todas as partes picadas. Não usadas, enfim.
Me findo sem estender meu código em outras veias, estrias e ovos.

Rodada 96 Invertida

Poema: Eliane França
Fotografia: Ana Pose

Deixe um comentário