Somos todos por ti, Ariadna
És a única musa de incontáveis ilhas
Mas terás que escolher um
entre todos os guerreiros
Aquele que receberá de ti
o novelo salvador
Aquele que levará de ti
a sorte transformadora
Um Labirinto para dois destinos
Quem será o escolhido?
Quem construiu o Labirinto?
Foi Dédalo, o magnífico arquiteto
Mas não importa quem o construiu
Importa quem o é
És tu, Ariadna, o Labirinto?
Para aprisionar em ti perdido o guerreiro escolhido
É Asterion teu criado?
Que liberta os guerreiros desprezados
Sim. Este é teu mais escondido segredo, Ariadna
Agradeço aos deuses a solução deste enigma sem igual
Então, peço que não me entregues novelo algum
Meu desejo é não voltar
Peço que me protejas de Asterion
Não quero ser libertado
Rogo por estar perdido em ti
Único anseio deste súbito guerreiro
Esta noite sonharei com teus caminhos
Tuas portas, teus vãos, tuas muralhas…
E antes de nascer o Sol e eu abrir os olhos
quero, como única certeza, estar enfim perdido em ti
Rodada 96 Invertida
Poema: Arthur Tavares Corrêa Dias
Colagem: Ângela Márcia