Vivendo os dias e esquecendo as noites,
e o inferno sempre na cabeceira.
Algo que me proteja de mim mesmo,
dos senhores da pós-modernidade.
Todos nós vitimas do algoritmo,
nos afogando no “nós contra eles”,
na fragmentação de todos e tudo:
não existe vacina para a vida.
Manhãs em que não consigo ser eu,
buscando aprovação dos seguidores
trocando amor real por avatares.
Tento o sono contando robôs –
não mais carneiros, hoje são extintos.
Vivendo as noites e esquecendo os dias.
Rodada 96 Invertida
Poema: Jozias Benedicto
Imagem: Pilar Domingo