Cambalhota

Urge em mim aquele riso solto
na banheira dos azulejos azuis
minhas mãos miúdas engelhavam à espera
dos barcos de papel que ela construía

Depois nós os ancorávamos
no tom azulado das águas

Continuo naquele barco à deriva
a banheira foi demolida
mas as águas azulejadas
habitam no coração de filha

A folha da palmeira se agita
talvez seja o vento a embalar a proteger
consigo sorrir aquele sorriso azulado
mesmo o mundo de pernas pro ar.

Rodada 95

Imagem: Pilar Domingo
Poema: Adriana Vieira Lomar

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