Maceração

A paz macera
os nódulos todos
do silêncio.
Lavado está o corpo
e resíduos
sedimentam-se
em cada canto.
A atmosfera se salga
pelas impurezas.
Os fachos luminosos
que penetram pelas
frestas encontram
a resistência do terreno
onde frenados e retidos.
A esperança se acumula
na câmara silenciosa
semi-iluminada.
E o visco oleoso
da libido
vagarosamente
escorre pelo
cômodo incomodado.

Os dias aguardam
o instante do salto.

Acontecerá.

Rodada 95

Fotografia: Magali Maciel Rios
Poema: Guilherme Preger


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