Bordar, bordar, até transbordar os traços das fronteiras.
Pode ser Penélope, que entretece e entristece, à espera de Ulisses. Ou a princesa, que o fuso de um tear mergulha em sono, mas só deseja o sonho de despertar. Quem sabe Ariadne, que constrói uma estrada com um fio de lã, por onde seu amado poderá voltar do fundo do fundo do labirinto. Ou a simples aranha, que faz em sua teia o alimento do amor e o amor do alimento.
Todas vão e vêm pelo avesso, em seu desfio condutor, trançando a flor bordada no espelho da pele, onde cada palavra se perde e busca seu caminho.
E a linha da mão na palma da vida.
Rodada 94
Fotografia: Patrícia Gunegundes
Texto: Cesar Cardoso