O garoto que vai na charrete. O neto de meu avô, no Sítio das Limeiras. Além dos pés de lima, o avô plantava tomates, alfaces, couves. Criava coelhos e abelhas. Íamos de mãos dadas tirar o mel. O neto, o avô e o medo.
Era tarde e estávamos indo embora. O avô parou a charrete no que já fora a entrada do sítio. Desceu, pegou três punhados de terra e botou num saco plástico, que guardou no bolso do casaco. Fomos embora, enquanto o sol tentava nos enganar, botando luz em todo canto.
Cinco anos depois, o avô já estava instalado num apartamento na Glória e num escritório no centro da cidade. Mas preferiu o álbum de retratos. Desde então, sempre que passo por uma estrada de terra, desço e pego um punhado. Em casa, guardo num dos muitos vidros da coleção. Para quando voltarmos ao sítio.
Rodada 91
Fotografia: Magali Rios
Conto: Cesar Cardoso
Magali, amiga e parceira, obrigado por mais essa.
Beijo,
Cesar
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Cesar, eu agradeço também. Gosto muito do seu jeito de falar de gestos simples de forma singela, afetuosa e sensível!
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