Pequenas Mandingas

Há lugares que a fé é opcional, escolha, querer. No Subúrbio do Rio de Janeiro, não!

A fé tá no beijo de bom dia, no sinal da cruz feito na porta de casa antes de ir pra labuta, no doce para Cosme e Damião em cima do móvel, na bíblia aberta no salmo, no santinho atrás da porta.

A fé parceiro, tá no gole pro santo e na licença na encruzilhada aberta – Laroye Exú!

Guardião do Caminho e da Porteira

Ir e vir no Subúrbio, mermão! É o caminho de Ogum – Patakori – e Oxossi – Oke Aro!

Fé?

É reexistência cotidiana de caminhos nem sempre fáceis, do trem cheio, do pão caro, da bala que voa e “acerta” o corpo pobre, da promoção do mercado, da van lotada e do desenrolo nem sempre reto; mas sempre necessário.

Tem hora parceiro, que mais vale uma medalha de São Jorge no peito, do que a lei embaixo no braço!

Falando em Lei…

Na segunda é vela acesa pra´s almas, quarta doce pro´s Erês, na sexta é banho de canjica. É lei, meu parceiro, ensinada por vovó.

Corpo Fechado, Mente Focada ,Caminho Guardado

Caminho se faz caminhando, ensinamento de preto velho no dia reza; quando a benzedeira com galho de arruda dava a bença.

Existem lugares que a fé é uma opção… no Subúrbio do Rio de Janeiro é o próprio lugar.

Licença na Encruzilhada

Sinal da Cruz na porteira do Cemitério
Medalha de São Jorge
Banho de Pipoca
Espada de São Jorge atrás da porta
Comigo Ninguém Pode
Novena e Santo Antônio no Terreiro

Salve o corpo fechado e o caminho guardado!

Rodada 90 Invertida

Texto: Philippe Valentim
Fotografia: Magali Rios

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