Feita de ventos e de chuva

Ana caminhou por entre as árvores cambaleantes no dia de chuva e vento, enquanto todos buscavam um lugar seguro contra o desastre inevitável. Ela não tinha medo. Quando as primeiras raízes das árvores tortas do cerrado começaram a se despedir da terra vermelha, alguém gritou e implorou para que ela corresse de lá. Fingiu que não escutou e fechou os olhos. Continuou caminhando até que a chuva começou a ferir seus ombros. Foi quando abriu os olhos e sentiu o caos. Parou, deu um longo assovio, como se mandasse um recado: “Chega!”. E voltou a caminhar por entre as árvores não mais cambaleantes, com os pés cobertos da agora lama vermelha.

Rodada 90

Conto: Patrícia Cunegundes
Aquarela: Maria Matina

Deixe um comentário